domingo, 15 de julho de 2018

COLEÇÃO O AMOR PELAS PALAVRAS

Editora CINTRA | ARC Edições

Catálogo 2017-2018



Criada em meados de 2017, a coleção “O amor pelas palavras”, de circulação exclusiva pela Amazon, reúne esforços editoriais da Editora Cintra e do selo ARC Edições, no sentido de robustecer o mercado de livros no Brasil em seu ambiente virtual. Seus diretores, respectivamente Leda Rita Cintra e Floriano Martins, até o momento publicaram 40 títulos, de 24 autores e diversos países. São livros ofertados em três idiomas: inglês, espanhol e português. Um relevante resumo dessa atividade editorial aqui se descortina, seja através de duas entrevistas com os editores, seja através das informações acerca dos autores publicados. Este é também o espaço oficial da coleção para sua comercialização e contato.



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CATÁLOGO 2017


Jorge Luis Borges integra o cânone das mais altas expressões literárias do século XX. Poeta, narrador e ensaísta, exímio conferencista e, como o comprova o presente livro, um entrevistado sagaz, inventor do personagem Jorge Luis Borges. Aqui se encontram reunidas uma série das 15 mais relevantes entrevistas que deu, no período de 1964 a 1985, por ocasião de suas viagens a diversos países. Edição raríssima, e única no que diz respeito à oportunidade de leitura dessas conversas, o livro dispõe também de uma tiragem artesanal, em dois volumes, realizada em 2013 pelas Edições Nephelibata.


El libro, en sus 756 páginas, recurre el imaginario lírico de Latinoamérica, registrando los aspectos más esenciales de la creación a través de sus principales voces poéticas. El brasileño Floriano Martins conversa con 55 poetas de 20 países latinoamericanos en diálogos que suman casi tres décadas de aventura intelectual. Originalmente editado, en dos tomos, por la Fundación Editorial el Perro y la Rana (Venezuela, 2009), Escritura conquistada es un mapa indispensable a todos que se interesen por la dimensión poética de Latinoamérica.


As deliciosas peripécias descritas e desenhadas, no século XIX, pelo genial Wilhelm Busch, o criador das histórias-em-quadrinhos, tem sua força justamente no contraste da alegria da Fantasia face à carranca da Realidade. No fim, o Mito é sempre posto em farelos pela realidade prática… Nesta múltipla aventura – do teatro automático à narrativa patafísica –, realizada a quatro mãos pelos poetas brasileiros Zuca Sardan e Floriano Martins, concluímos que quanto mais destroçado o Mito mais força ele ganha e retorna para nos salvar de sermos, simplesmente, uns macacos lógicos e eruditos. Farelos do Mytho é uma das mais requintadas proezas estéticas de nosso tempo, reunindo teatro, narrativa, desenhos, fotografias, colagens em um caldeirão delirante sob a pena satírica de dois poetas.


Invenção do Brasil, do brasileiro Floriano Martins, poeta e ensaísta, é um volume que reúne ensaios e entrevistas cujo tema central assume a ousadia de propor justamente o que se anuncia no título, a invenção de um Brasil que seja fruto de uma arte e uma cultura com a grandeza incontestável que caracteriza o país, embora sob o manto da invisibilidade, grandeza tomada de assalto pela superficialidade do que circula com ares de oficialidade. O livro trata das mais variadas questões envolvendo diversos gêneros artísticos, além de aspectos estratégicos, como direção de revistas, curadoria de exposições, entraves burocráticos etc. O livro é, portanto, um desafio ao leitor, para que, no fim desta viagem, invente o seu próprio Brasil.


O crítico de artes, brasileiro, Jacob Klintowitz (Porto Alegre, 1941) é um dos intelectuais mais atuantes no país, além de possuir obra dotada de espantosa singularidade, seja pela extensão como pela luz que incide sobre o objeto de todos os seus estudos. Escreveu sistematicamente para órgãos de imprensa como Tribuna da Imprensa, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, revista Isto É, tendo sido redator e crítico de arte da TV Globo. Foi curador do Espaço Cultural Citi, assim como conselheiro do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi e do Museu Judaico de São Paulo. Vice-presidente do Instituto Anima de Sophia, ganhou por duas vezes o prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Com uma bibliografia que chega a 174 títulos publicados, escreveu sobre artistas e temas os mais variados e consistentes de nossa cultura. Tratados de Harmonia reúne estudos preciosos e reveladores sobre a obra de destacados artistas brasileiros: Antonio Bandeira, Arcangelo Ianelli, Claudio Tozzi, Henrique Léo Fuhro, Inos Corradin, Israel Pedrosa, Ivald Granato, Marcello Grassmann e Rubens Matuck.


O poeta Freddy Gatón Arce (República Dominicana, 1920-1994) foi um dos nomes centrais do Surrealismo em seu país. Seja pelos ousados experimentos de escritura automática, seja pela cumplicidade, com outros poetas e artistas, na criação do grupo La poesía sorprendida, que marcou toda uma época, em especial pela edição de uma relevante revista homônima. A inclusão da prosa poética que constitui o livro Vlía na coleção “O amor pelas palavras” é um reconhecimento da importância cimeira deste imenso poeta. O livro, na tradução de Floriano Martins, traz ainda três estudos críticos sobre o poeta realizados por Manuel Mora Serrano, um dos mais destacados ensaístas da República Dominicana. Edição bilíngue, finalmente acreditamos que Vlía tenha a circulação internacional que merece.


O cubano Carlos M. Luis (1932-2013) foi certamente o mais notável estudioso do surrealismo na América Hispânica. Quando ainda residente em Cuba, integrou o grupo em torno da revista Orígenes, fundada por José Lezama Lima. Ao passar a residir em Miami, ali dirigiu Cuban Museum of Art and Culture. Horizontes del Surrealismo reúne a totalidade de seus ensaios dedicados ao surrealismo, abrangendo ambientes plástico e poético, e investigando os mais destacados momentos deste importante movimento do século passado, tanto na Europa quanto na América. Abre o livro uma entrevista com o autor, onde trata de iluminar todas as áreas de sua pesquisa.


Antología de la poesía de Roberto Piva (1937-2010), uno de los más fuertes nombres de la vanguardia en su país, conectado con el surrealismo, la Beat Generation y la grande poesía clásica visceral de todos los tiempos. El libro fue organizado por dos otros brasileños, Claudio Willer y Floriano Martins, y traducido al español por Gladys Mendía. Hace parte de las conmemoraciones de sus 80 años de nacimiento, y la edición fue posible gracias a la confirmación de derechos de autor señalada por Gustavo Benini, confirmación basada en el deseo manifiesto en vida por el mismo poeta.


Intuiciones y obsesiones – Crónicas de una vida interesante es un libro de viajes. Su autora, Susana Wald, ya ampliamente conocida como artista plástica, logra un tipo singular de cartografía existencial, de sus viajes por el tiempo y el espacio, dentro y fuera de sí misma. Nacida en Hungría, ha vivido en Argentina, Chile, Canadá y México, y convivido con la eclosión y confirmación del Surrealismo en estos países todos. Así que el libro, un río inagotable de relatos, es su cuaderno de memoria, la piel sagrada en que evoca la crónica de una existencia febril e intensa. Su lectura, por supuesto, llevará al lector por un mundo de colores mágicos, lleno de aventuras.


Esta es una novela mágica, la narración mítica y onírica de alguien que ha enlazado los mundos del sueño y la vigilia, hilando una realidad más allá de toda comprensión de los hechos. Su autor, el poeta y artista plástico Ludwig Zeller (Chile, 1927) es uno de los nombres más importantes del surrealismo, creador de una obra muy vasta y relevante, un capítulo especial dentro de las vanguardias del siglo XX. Río Loa es la tierra que nadie puede devastar, el hogar mítico de los sueños, la casa salvaje de los tesoros de la aventura humana. Como leemos en el cierre de la narrativa: “son los secretos escondidos en el desierto que no logra callarse cuando sobre la arena se arremolina el viento”.


Este é um mágico e singular volume de narrativa curta de autoria de Alfonso Peña. Originalmente publicado em 1997, contou até o momento com quatro edições impressas, tanto na Costa Rica quando no Brasil, países respectivamente do autor e do tradutor. É narrativa singular e mágica pela tessitura de seus enredos e pela constituição de personagens que dão à leitura uma dinâmica fascinante. Alfonso Peña é autor de outros livros, seja de narrativa, colagens, entrevistas. Destaca-se atualmente – uma atualidade que vem desde a fatia final do século passado – como o mais consistente e frequente ativista cultural de seu país. A presente edição é a primeira bilíngue, e inclui ainda, ao final, alguns textos críticos que circularam na imprensa por ocasião das edições anteriores.


Zuca Sardan (1933) destaca-se como a máxima expressão do Collège de Pataphysique no Brasil. Antiga sociedade fundada em Paris em meados do século XX, baseada na ironia, na sátira e no humor negro, é uma corrente antiacadêmica a toda prova. Tendo por mago regente o Doutor Faustroll, personagem criado por Alfred Jarry, o termo surge da contração da frase “epí ta metá ta physiká”, que significa: o que está ao redor do que está além da física. Com quase 30 livros publicados, Zuca Sardan, para manter o espírito patafísico, semeou edições quase sempre de pequena tiragem e por editoras fora de mercado. Este livro, Eccolequá, reúne textos dispersos, perdidos, raros – teatro, poema, prosa, desenho –, em edição empenhada de trazer novamente à luz um dos mais importantes nomes da tradição lírica brasileira.


Aquí presentamos una antología poética del brasileño Floriano Martins (1957), una de las voces poéticas más relevantes de su país. El libro reúne poemas escritos entre 1998 y 2013, en distintas traducciones de Benjamin Valdivia, Blanca Luz Pulido, Federico Rivero Scarani, Gladys Mendía, Juan Cameron y Marta Spagnuolo. Al final podemos leer anotaciones críticas sobre el poeta, firmadas por José Alcántara Almánzar, David Cortés Cabán y Jorge Rodríguez Padrón, respectivamente de República Dominicana, Puerto Rico y España. Floriano Martins, además de poeta, ensayista, editor y traductor ha creado y dirige Agulha Revista de Cultura, destacado periódico de circulación internacional.


Este livro reúne três volumes preparados por Floriano Martins para Sol Negro Edições: III novelas exemplares & 20 poemas intransigentes(2012), Tremor de céu (2015, edição bilíngue) e Traduções do universo(este ainda inédito). Os três livros são uma viagem singular pela poética e devastadora imaginação do chileno Vicente Huidobro (1893-1948), uma das máximas expressões da tradição lírica latino-americana. Nesta viagem o leitor encontrará uma mescla reveladora de ensaios, manifestos, conferências, poemas, prosa poética, além de uma rara entrevista concedida pelo poeta e as três novelas automáticas que escreveu, a quatro mãos, com o alemão Hans Arp. Volume indispensável para aqueles viajantes que, como o próprio poeta chileno, adoram se entregar às correntezas da Poesia.


O romance A muralha de Adriano explora de forma profunda, metódica e coesa  nossas barreiras em um mundo globalizado em que nunca foram tantas as muralhas, tais como as individuais, nossos medos, preconceitos e impedimentos morais. Em uma densa narrativa, Menalton Braff expõe, sobretudo, a falsa moralidade, bem como as barreiras sociais que dividem os seres humanos em grupos de pouca ou nenhuma comunicação.  A muralha de Adriano recebeu, entre outros, os prêmios Jabuti e Portugal Telecom, além de ter sido finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2008, na categoria "Melhor Livro do Ano de 2007". Recebeu também a Menção Honrosa no 50º Prêmio Casa das Américas (Havana), versão 2009.


El poeta e crítico de artes, argentino, Carlos Barbarito, es un nombre de destaque en su generación, por su actuación crítica, la filiación surrealista y una poética refinada. Ahora tratamos aquí, con la complicidad del poeta, de reunir tres libros suyos, bajo el título general cedido por uno de ellos: Cuaderno de señales. Para que uno tenga en línea un poco de la conciencia de este poeta entrañable, reproducimos fragmento de una nota con que se abre esta edición: “Es muy difícil escribir poemas. Y, lejos de facilitar la tarea, al cabo de cuatro décadas de escribir, siento que la supuesta experiencia no me trae sino más y más dificultad. Alguna vez me propuse dominar el idioma. En vez de dejarse domar el potro sigue siendo salvaje y una y otra vez me arroja de su lomo. Escribir, así lo siento, es andar montado en un caballo nervioso e indomable. Siempre cito a Eliot: … para nosotros el intento… Se amanece con expectativa que el transcurrir del día transforma en desilusión. Pero, ¿qué sería de mí sin la poesía? Anochece y llego al final de la jornada con un poema, dos o tres poemas, que, por un lado, me confortan y, por el otro, me confirman, una vez más, mis serias limitaciones.”


Indígenas, sob diferentes denominações, existem em todos os continentes quando os consideramos como os primeiros habitantes e seus descendentes e, seres universais, como todo escritor, divulgam saberes ancestrais que falam de homens, lendas e entidades . Isso fica muito evidente neste volume, em que escritores de diversas etnias indígenas do Brasil expõem seu saber em linguagens nem sempre idênticas, porque a geografia os separa, e quando até mesmo a grafia os diferencia, tradutores que são da linguagem oral que sempre os marcou e ainda hoje chega até nós, leitores, no embalo encantatório de suas frases poéticas que reúnem ao cair da tarde nas aldeias, velhos e moços e  crianças para ouvir esses grandes contadores não de casos, mas de histórias que vivemos desde que o mundo é mundo e que passam pela ótica de cada ser vivente, em cada etnia que habita o universo. São escritores premiados alguns, outros mais recentes, mas todos de inegável qualidade literária, por isso todos reunidos nesta antologia que esperamos  encante os leitores das cidades no conhecimento dessa parte do universo até aqui tão pouco difundida. Escritos Indígenas  foi publicado também na revista Matérika da Costa Rica, sob a direção do escritor Alfonso Peña, e traduções para publicação impressa estão sendo preparadas na Colômbia e na França.


Este livro reúne alguns dos mais relevantes ensaios de Aldo Pellegrini dedicados ao Surrealismo, juntamente com a totalidade de sua prosa poética e uma breve seleção de poemas em verso. O argentino Aldo Pellegrini (1903-1973), destacado poeta de língua espanhola, foi o mais importante crítico, difusor e tradutor do Surrealismo em todo o continente americano. Crítico de artes e editor de valiosas revistas, seu nome está ligado a momentos inestimáveis da história da cultura em seu país. Tradutor da obra completa de Lautréamont e dos manifestos do surrealismo, Pellegrini foi também organizador da primeira antologia de poesia surrealista de língua francesa em todo o mundo. Os textos aqui reunidos foram, a seu tempo, publicados em edições artesanais pela Nephelibata Edições e Sol Negro Edições, respectivamente em 2010 e 2013.


Entre 2013 e 2015 o poeta Floriano Martins e o artista plástico Valdir Rocha fizeram uma série de experiências com a criação: diálogos, interferências, vídeos. Um dos resultados é a trilogia A imaginação estupefata que ora publicamos. O processo de criação consistia na criação de poemas a partir de três séries, de desenhos, gravuras e esculturas. As duas primeiras partes, Lembranças de homens que não existiam e O sol e as sombras foram publicadas em livros individuais, respectivamente em 2013 e 2014. Pela primeira vez agora a trilogia é reunida, permitindo uma clara ideia da voltagem da alteridade alcançada por estes dois criadores.


El de la artista Susana Wald es uno de los nombres más destacados internacionalmente en la plástica surrealista. Pintora, muralista, pensadora, traductora, es una mujer muy activa y su reconocida labor desde décadas acompaña actividades en sus residencias en Chile, Canadá y México. Mano a mano con su pareja, el poeta Ludwig Zeller, ha realizado obras en colaboración, así como producido exposiciones y editado revistas. Este libro, escrito por el poeta y ensayista brasileño, Floriano Martins, expresa su diálogo con la artista, y conjunta ensayo y entrevista, en un tomo revelador de muchas singularidades de la obra plástica de Susana Wald.

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CATÁLOGO 2018

Este libro de Alfonso Peña es un retrato muy realista de la condición cultural de Latinoamérica. En sus diálogos sigue viaje por seis países – Brasil, Costa Rica, Argentina, Panamá, Nicaragua, España – cavando los elementos determinantes de las artes. Conversas con gente de la música, las letras y la plástica. Su autor, Alfonso Peña (Costa Rica, 1951) es narrador, poeta, editor. A lo largo de un decenio (1980-1990) dirigió junto a un colectivo de artistas la revista de Arte y Literatura Andrómeda (33 números), que se distinguió en esos 10 años por publicar un ajustado panorama del arte y la literatura que se producía en el ámbito continental. En colaboración con el poeta y editor Floriano Martins, organizó la primera muestra internacional de grabadores costarricenses y brasileños El surco de la gubia, incluía un catálogo bilingüe, y una carpeta de obra gráfica. Fortaleza, Brasil, San José, Costa Rica, (1998). En complicidad con Amirah Gazel, organizó la exposición surrealista internacional Las llaves del deseo, Museo Municipal de Cartago/Biblioteca Nacional, San José, (2016). Destaque final para el artista Michael Picado, responsable por los dibujos de los entrevistados.


Viagens do Surrealismo é uma ousada aventura de investigação sobre os caminhos traçados pelo Surrealismo na poesia do século XX. Disposto em dois amplos volumes, o livro esquadrinha criação e ambiente cultural. Este primeiro volume, em suas 930 páginas, reúne uma mostra vultosa da poesia surrealista, seus antecedentes e distintos herdeiros. São 161 poetas de 38 países, abrangendo todos os continentes. O segundo volume, ainda em preparação, compartilha estudos críticos, enquete e documentos. Anteriormente seu autor, o poeta, ensaísta, tradutor e editor Floriano Martins, já havia publicado alguns livros sobre Surrealismo, porém tratando de modo específico de sua presença no continente americano. O ambiente agora é global e sua realização tornou-se possível graças ao espectro voluntário de tradutores com quem o autor dividiu o desafio de transpor para o português esta antologia poética. São eles: Allan Vidigal, Betty Vidigal, Claudio Willer, Contador Borges, Eclair Antonio Almeida Filho, Graco Braz Peixoto, Leila Ferraz, Márcio Simões, Mário Cesariny de Vasconcelos, Viviane de Santana Paulo e Zuca Sardan.


Propriedade imaginária – Colagens, de Floriano Martins. A presente edição reúne as colagens realizadas por Floriano Martins entre 1990 e 2015. Época em que o artista brasileiro as realizava ainda na técnica clássica de tesoura e cola. Parte minoritária deste material foi incluída em algumas das mostras coletivas de que participou Floriano Martins, a saber: “Surrealismo” (Mostra coletiva. Curadoria Sérgio Lima. NAC – Núcleo de Arte Contemporânea. São Paulo. 1992), “América Latina e o surrealismo” (Mostra coletiva. Curadoria Heribert Becker. Museu Bochum. Kohl, Alemanha. 1993), e “A imagem da revelação” (Mostra coletiva. Curadoria Sérgio Lima. Espaço Expositivo Maria Antonia. São Paulo. 1996). Nascido em 1957, Martins é poeta, ensaísta, tradutor, editor e artista plástico. Dirige a Agulha Revista de Cultura e o selo editorial ARC Edições.


ALLAN VIDIGAL (São Paulo, 1971). Escritor e tradutor. Estudou direito, mas não se deu muito bem com aquilo e foi procurar outra coisa para fazer da vida. Como ele próprio adota, “um poema não serve pra nada”, fato que confirma sua decisão de não manter expectativa alguma em relação a leitores. E acrescenta: “É uma avaliação que me parece objetiva, exata. Escrevi, também, do poema que se faz sozinho, do poeta que apenas toma ditado e escreve o que já lhe nasce pronto na cabeça. Todos os meus se fizeram sozinhos; e apenas escrevi o que me foi ditado. Cedi à tentação de fazer ajustes? Sim, em alguns casos. E, se algo desagradar ao leitor, que seja lançado à conta desses ajustes: as vozes não têm culpa se mudei o que me mandaram escrever. De qualquer maneira, eu e as vozes esperamos que gostem.” Extrato de um depoimento seu sobre a criação deste livro, As flores são idiotas completas, que vem acrescentar relevante conteúdo à coleção “O amor pelas palavras”.


Six running desires is a rather unique book in that its six poems are expressed in a varied range of languages, including visual narrative. The author, Brazilian poet Floriano Martins, has followed a path that is just as unique, standing out not just as a poet, but also a translator, visual artist, essayist and publisher. A scholar of Surrealism as well as of Spanish-language poetry, he has contributed relevantly to his home country’s culture in each of his fields of endeavor, particularly with the publication, since 1999, of Agulha Revista de Cultura, a review that he founded and that specializes in critical studies of the Arts and culture.


Overnight Medley is a Jazz book, a magical meeting of two poets, Brazilian Floriano Martins and Mexican Manuel Iris. The original meeting place was the United States, where Iris lives. Martins then went to Australia and the book was written in the two geographical sites thanks to the virtual stage of the Internet. It is a book on Jazz, its music and is composers, but itself pure Jazz for the improvisation and adventure of writing as a duet and for the magic of its fascinating imagery. The book also includes a brief introduction by Jovino Santos Neto, a Brazilian musician that has long kept track of the career of Hermeto Pascoal, one of the composers that Overnight Medley covers. English translation by Allan Vidigal.


El río sin orillas es una antología personal de la poesía de Eduardo Mosches. Su autor, mexicano de origen argentino, nació en Buenos Aires en 1944. Poeta, ensayista e editor, es el fundador de uno de los más destacados periódicos dedicados a la poesía en lengua española, la revista Blanco Móvil, creada por él en 1985. Fue coordinador editorial en la Universidad Autónoma de la Ciudad de México (2002-2012). Ha publicado los poemarios Los lentes y Marx, Los tiempos mezquinos, Cuando las pieles riman, Viaje a través de los etcéteras, Como el mar que nos habita, Molinos de Fuego, Susurros de la memoria, El ojo histórico, Los enemigos del silencio, además de un libro de prosa Caminos sin ruta. Como recuerda el crítico Eduardo Milán, en la presentación de este El río sin orillas, Mosches “demuestra, poema tras poema, que no olvida el sentido fundamental de su aventura: inscribir, en una suerte de no-tiempo imaginario, los fragmentos de vida que hilaron su existencia.


Mundo Mágico – Bolivia es un amplio estudio, seguido de relevante antología poética, de un siglo de lírica en Bolivia, desde Franz Tamayo (1879-1956) hasta los días actuales. Al final del estudio introductorio se encuentra la configuración de una mesa de diálogos, encuesta realizada con todos los poetas vivos que participan del libro. Su autor, el poeta, crítico, editor y traductor brasileño Floriano Martins ha realizado esta antología como parte de un ambicioso proyecto que incluye muestras poéticas de todos los países de Hispanoamérica.


Tabula rasa é o quarto encontro entre o poeta Floriano Martins e o artista plástico Valdir Rocha. Em volumes anteriores os dois mesclaram poemas, desenhos, gravuras e esculturas. Agora o diálogo se dá entre fotografia e prosa poética. Como observa Valdir Rocha, em posfácio a esta edição: Tenho fotografado muito aquilo que desinteressa para a generalidade das pessoas sãs. Fotografia é escrita feita com a luz, mas acrescento que também com o corte visual. Gosto de detalhes do alto, do baixo e dos lados. Neles busco e tantas vezes tenho a ilusão de encontrar algo de novo. Por sua vez, Floriano Martins ilumina o território da parceria: A arte nos permite a consciência de todas as experiências. O bordado da realidade, tangível ou não, a partir do momento em que a percebemos como parte inseparável de cada um de nós. Não li as imagens de Valdir Rocha, pois não se tratava de ilustrá-las com seu correspondente em verso. A disposição em que as duas imagens, plástica e poética, se mostram neste livro importa tanto quanto a autoria.


La maquinaria de los secretos, novela de Homero Carvalho Silva, ganadora del Premio Nacional de Novela 2008, en Bolivia, revela de manera extraordinaria las acciones de los servicios secretos y sus insospechadas consecuencias en la sociedad. Corrupción, atentados, crímenes, droga, suspenso. Con esta obra Homero Carvalho va más allá de las novelas policiales clásicas y de la misma novela negra. Y ¿si todo lo que cuenta La maquinaria de los secretos fuera cierto? ¿Los servicios secretos controlan nuestras vidas? ¿Realidad o ficción? Como observa Miguel Sánchez-Ostiz, La obra de Homero Carvalho es una novela boliviana, sí, por la época, el contexto, los personajes, pero los asuntos de los que en ella trata exceden en mucho las fronteras de Bolivia y su realidad política y cultural, porque habla de una época, la nuestra, en la que en aras de la seguridad y del miedo inducido y cultivado con esmero, los ciudadanos han ido dejando en manos del “Ministerio del Miedo”, su privacidad y una parte de la libertad que podían ejercitar.


Pequeno Ansioso, Mãe Dolores e Alfredo Aquilino configuram o trio de protagonistas de Sobras de Deus, novela singular de Floriano Martins. Esquizofrenia, misticismo e a voraz curiosidade infantil tencionam o arco numa vertente de cenas e diálogos ambientados em duas casas em um bairro central de inominada cidade. Descobertas e reflexões cúmplices entre o tio-avô, a empregada doméstica e o menino de 13 anos, dão o tom invulgar de uma ternura trágica, cujas pinceladas únicas levam o leitor pelo interior dos assombros familiares. Narrativa repleta de mistérios e seduções, Sobras de Deus flerta com a prosa poética e o teatro, sendo a primeira novela do poeta e ensaísta brasileiro Floriano Martins.


Primero de dos tomos con muy rica selección de las entrevistas publicadas en las páginas virtuales de Agulha Revista de Cultura, periódico de circulación en la Net, creado y dirigido por el poeta brasileño Floriano Martins, destacado estudioso del Surrealismo. Esta publicación obtuvo el premio de la Asociación Brasileña de Críticos de Artes, por su amplia difusión de las artes plásticas. La revista, que cuenta ya con 120 números, es una de las pioneras en la publicación periódica de estudios críticos sobre todas las formas de expresión artística. La edición de sus principales entrevistas se encuentra dividida en tomos – 2000-2009 y 2010-2018 –, con entrevistados de varias partes del mundo, tratando de temas como cine, teatro, literatura, artes plásticas, música etc.


Neste livro, Márcio Simões reúne uma vultosa seleção de entrevistas concedidas pelo poeta e editor brasileiro no período de 1989 a 2017. Os diálogos versam sobre os mais variados temas, dentro do espectro igualmente variado de atividades levadas a termo por Floriano Martins (1957), diretor da Agulha Revista de Cultura. O também poeta, tradutor e editor Márcio Simões (1979), destaca-se pelo brilhante trabalho de editor à frente da Sol Negro Edições, dedicada à feitura de livros artesanais e que conta com um catálogo digno de visita e comentário. São os seguintes os escritores e jornalistas que entrevistam Floriano Martins: Adlin Prieto, Alfonso Peña, Álvaro Alves de Faria, Ana Marques Gastão, Belkys Arredondo, Carmen Virginia Carrillo, Emmanuel Nogueira, Fabrício Carpinejar, Jorge Ariel Madrazo, José Anderson Sandes, José Ángel Leyva, José Castello, Leila Ferraz, Lira Neto, Madeline Millán Manuel Iris, Márcio Simões, Renata Sodré Costa Leite, Rodrigo de Souza Leão, Rodrigo Petronio e Sérgio Campos.


Vislumbres verbales – Literatura latinoamericana en la encrucijada de dos siglos, nuevo libro del ensayista venezolano Gabriel Jiménez Emán, preparado especialmente para nuestra colección. Haciendo énfasis en figuras de la cultura y la literatura en Venezuela y de otros autores hispanoamericanos de relevancia, su autor proyecta en este libro miradas  panorámicas o históricas, o bien se centra en determinados motivos narrativos o poéticos que puedan iluminar facetas significativas de los autores elegidos, valiéndose de una mirada lúcida, penetrante, que va repasando con rigor los diversos elementos constitutivos de cada obra en sus determinados contextos epocales o estéticos, y éstos adquieren entonces una peculiar relevancia, colocando los ensayos de Vislumbres verbales en un registro muy notable de interpretación dentro de la crítica literaria contemporánea de la América Latina.


Magmáticas medusas reúne três livros da poeta brasileira Anna Apolinário (1986), incluindo ainda inéditos e uma fortuna crítica. Anna vive em João Pessoa, na Paraíba, onde é organizadora do Sarau Selváticas de autoria feminina. Autora dos livros Solfejo de Eros (CBJE, 2010), Mistrais (Prêmio Literário Augusto dos Anjos, Edições Funesc, 2014) e Zarabatana (Editora Patuá, 2016). Em entrevista dada a José Nunes de Cerqueira Neto, constante na fortuna crítica do presente volume, Anna Apolinário diz: Prezo pelo sublime, me esforço para produzir algo singular e marcante, algo que traga encantamento a mim e ao leitor, o mais difícil é atingir o tom universal, e às vezes o fracasso é inevitável, tento lidar de forma positiva, sem tantas cobranças, mantendo a maleabilidade e serenidade, compreendendo que o hiato e o silêncio também são necessários. Projetos longos costumam causar certa ansiedade e insegurança, procuro não me abalar e seguir, a obra encontra um meio de se realizar, às vezes, independente dos percalços e até dos desejos do autor.


Caixa de Pandora reúne artigos, ensaios e palestras do português Nicolau Saião (1946), um dos mais destacados poetas e artistas daquele país ligados ao Surrealismo. Ao lado de Mário Cesariny, em 1984, organizou a exposição “O fantástico e o maravilhoso”, sendo também um expressivo representante da arte postal em seu país. Dentre outras atividades culturais, concebeu, realizou e apresentou o programa radiofónico “Mapa de Viagens”, na Rádio Portalegre (36 emissões) e foi durante 14 anos o responsável pelo Centro de Estudos José Régio, na dependência do município de Portalegre. Tradutor e estudioso da obra de Lovecraft, Nicolau Saião tem publicado diversos livros de poesia, em 2006 foi editada no Brasil uma antologia de poemas e desenhos, preparada por Floriano Martins.


Asilo de farsas é a mais recente peça escrita a quatro mãos por Floriano Martins e Zuca Sardan, dentro de um ambicioso projeto que os dois poetas chamam de theatro automático. Este opúsculo, em linguagem sempre afeita aos princípios da Escola de Patafísica, situa o encontro de Floyd Nix e Doc Fumex, personagens que, ao contrário dos autores – Sardan residente na Alemanha, Martins no Brasil –, que jamais se conheceram pessoalmente, encontram-se pela primeira vez em uma espécie de seminário de improvisos, onde se põem a conversar sobre sua singular visão de mundo, refletindo sobre os malefícios da realidade no mundo contemporâneo. Outros livros da dupla publicados: Circo Cyclame, O iluminismo é uma baleia, Farelos do Mytho e Tarok Burutu.


Limaduras del sol y otros poemas es una antología personal de la poesía de Omar Castillo. Poeta, ensayista y narrador, nasció en Medellín, Colombia, en 1958. Su obra poética está compuesta de los libros: Obra poética 2011-1980 (2011), Huella estampida, obra poética 2012-1980 (2012) y Tres peras en la planicie desierta (2018). Ya entre sus libros de ensayos encontramos En la escritura de otros, ensayos sobre poesía hispanoamericana (2014) y Al filo del ojo (2018). Además de un libro de narraciones cortas Relatos instantáneos (2010). De 1984 a 1988 dirigió la revista de poesía, cuento y ensayo otras palabras, de la que se publicaron 12 números. Y de 1991 a 2010, dirigió la revista de poesía Interregno, de la que se publicaron 20 números. En 1985 fundó y dirigió, hasta 2010, Ediciones otras palabras.


Inventario nocturno, de Homero Carvalho, obtuvo el Premio Nacional de Poesía Santa Cruz 2012. Es un poemario dividido en tres cuadernos, en el primero de ellos, Cuaderno rojo, están los poemas sobre su constelación personal, sus seres amados, que son los hilos que sostienen su tejido existencial; son poemas narrativos y expresan diferentes épocas y estados de su vida. Cuaderno azul recoge poemas, que entre otras cosas, conjuran el desencanto postmoderno; así como poemas experimentales en los que se destaca la carga icónica y/o fonética, además de antipoemas y algunos “divertimentos” literarios. Cuaderno de cierre como en todo inventario, clausura un ciclo de su escritura. Homero Carvalho Oliva (Bolivia, 1957), es poeta, ensayista y narrador. Entre sus poemarios se destacan Las puertas, Diario de los caminos, Los Reinos Dorados, Quipus y Bautizar la ausencia. El año 2012 obtuvo el Premio Nacional de Poesía con Inventario Nocturno y es autor de la Antología de poesía del siglo XX en Bolivia, publicada por la prestigiosa editorial Visor de España. Premio Feria Internacional del Libro 2016 de Santa Cruz, Bolivia.


En la escritura de otros es libro de lectura crítica sobre obras y autores, entre los más importantes, de la tradición lírica hispanoamericana. Estudios notables sobre poetas como León de Greiff, Aldo Pellegrini, César Moro, Octavio Paz, Jaime Sáenz, Álvaro Mutis, entre otros. Su autor, Omar Castillo (Colombia, 1958), además de poeta y narrador, es un destacado investigador de las realidades poéticas de Hispanoamérica. En esta área acaba de publicar otro libro importante, Al filo del ojo (Fondo Editorial Ateneo, 2018). Intelectual actuante, de 1984 a 1988 dirigió la revista de poesía, cuento y ensayo otras palabras, de la que se publicaron 12 números. Y de 1991 a 2010, la revista de poesía Interregno, de la que se publicaron 20 números. En 1985 fundó y dirigió, hasta 2010, Ediciones otras palabras. Este volumen que ahora publicamos es una edición ampliada de libro homónimo publicado hace pocos años.

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NOSSOS AUTORES

AGULHA REVISTA DE CULTURA (Brasil, 1999-2019)
Criada pelo poeta e ensaísta Floriano Martins, é revista pioneira no ambiente virtual no tocante à difusão e reflexão das artes pelo menos na extensão de dois idiomas, português e espanhol. Em 2007 recebeu o Prêmio da ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Artes), pela relevância de seu conteúdo. Contando com uma cumplicidade editorial de revistas tanto impressas quanto virtuais, em países como Costa Rica, México e Portugal, desde cedo tratou de expandir seu raio de ação, abrangendo diversas culturas e manifestações artísticas. Como sequência dessa estratégia, foi criado o selo ARC Edições, que hoje conta com um seletivo catálogo de obras impressas, além de haver definido parceria com a Editora Cintra, na criação da coleção “O amor pelas palavras”, de livros de circulação pela Amazon. Na primeira aparição da Agulha Revista de Cultura em nossa coleção estão reunidas 46 de suas principais entrevistas realizadas no período 2000-2009. A revista conta atualmente com mais de 120 edições e temos já em preparação o segundo volume de entrevistas.


ALDO PELLEGRINI (Argentina, 1903-1973)
Poeta, dramaturgo, ensaísta, crítico de artes, tradutor e editor, foi o mais destacado estudioso e difusor do Surrealismo em seu país, com repercussão em todos os países de língua espanhola. Foi editor de revistas como: Qué, Ciclo, Letra y Línea e A partir de cero. Traduziu a obra completa de Lautréamont e os manifestos do Surrealismo. É autor da primeira antologia do surrealismo de língua francesa publicada em outro idioma, projeto tão vultoso quanto o de outra antologia, dedicada à jovem poesia de língua espanhola. O livro que publicamos dele em nossa coleção, Ressurreições de uma ampulheta, é uma montagem realizada por Floriano Martins, reunião dos principais ensaios sobre surrealismo, a prosa poética completa e uma seleção de poemas.


ALFONSO PEÑA (Costa Rica, 1952)
Narrador, artista plástico, galerista, editor e agitador cultural. Criador do projeto Andrómeda Arte contemporâneo, bem como editor da revista Matérika, é um incansável difusor de arte e cultura na América Central, ao lado de Amirah Gazel organizou uma Exposição Internacional do Surrealismo, em 2016. De próxima aparição, Alfonso Peña publicará um relevante retrato da atualidade do Surrealismo na América Latina, na forma de entrevistas a seus principais representantes. Dele nós publicamos dois livros, os contos de La novena generación e Conversas, volume de entrevistas a poetas e artistas plásticos.


ALLAN VIDIGAL (Brasil, 1971)
Escritor e tradutor. Destaca-se na organização, preparação e tradução de livros técnicos. Tem sido valiosa a sua contribuição como tradutor para a Agulha Revista de Cultura, assim como em se tratando de livros editados pela ARC Edições e por nossa coleção, em cujo catálogo se inclui sua estreia em livros de poesia.


ANNA APOLINÁRIO (Brasil, 1986)
Poeta e agitadora cultural, ela coordena, ao lado de Aline Cardoso, o Sarau Selváticas, evento itinerante realizado semestralmente, desde 2017, na cidade de João Pessoa, Paraíba. Como ela mesma salienta, a proposta do Sarau é ampliar os espaços da autoria feminina e de todas as formas de arte produzidas por mulheres. O livro de Anna Apolinário que incluímos em nossa coleção é uma antologia pessoal, que ela gentilmente nos preparou, também incluindo inéditos.


CARLOS BARBARITO (Argentina, 1955)
Poeta que conta já com 20 livros publicados, é um autores mais relevantes de sua geração, em toda a América Hispânica. Ao prefaciar um de seus mais recentes livros, o brasileiro Floriano Martins observa que o poeta está possuído pelo fascinante dom de não entregar ao leitor senão pistas; jamais a chave. E uma das pistas intrigantes de sua poética está na palavra nudez e seus correlatos, que se repete à beira da exaustão, de livro em livro, e que no livro Radiação de fundo trafega como uma guia, uma espécie irrequieta de iluminação acima de todo erro e toda cinza. Em nossa coleção reunimos sua poesia até então publicada, sob o título geral de Cuaderno de señales.


CARLOS M. LUIS (Cuba, 1932-2013)
Poeta, ensaísta, crítico de arte, viveu a maior parte de sua vida nos Estados Unidos. Quando ainda em sua residência cubana, integrou o grupo em torno da revista Orígenes, criada por José Lezama Lima. Uma vez residindo em Miami, dirigiu Cuban Museum of Art and Culture. Foi um criterioso estudioso do Surrealismo, deixando inédito um precioso e alentado estudo, cujos originais foram deixados com Floriano Martins, a quem concedeu extensa entrevista que abre a edição incluída em nossa coleção.


EDUARDO MOSCHES (Argentina, 1944)
Poeta, ensaísta, editor, naturalizado mexicano, país onde criou e dirige até hoje a revista Blanco Móvil, dentre as mais destacadas publicações latino-americanas dedicadas à poesia de todo o mundo. Até o momento este importante periódico conta com mais de 140 edições publicadas. Eduardo Mosches foi também, no período 2002-2012, coordenador editorial da editora da Universidade Autônoma da Cidade do México. Em nossa coleção incluímos uma antologia pessoal, intitulada El río de orillas.


FLORIANO MARTINS (Brasil, 1957)
Poeta, ensaísta, tradutor, editor, estudioso do surrealismo e da tradição lírica hispano-americana, com diversos livros publicados sobre tais temas, criou e dirige a Agulha Revista de Cultura, bem como o selo ARC Edições. Em nossa coleção, até o momento, já incluímos nove títulos dele, de poesia, crítica de artes, ensaios, entrevistas, novela e a organização de duas imensas antologias, da poesia surrealista em todo o mundo e da lírica boliviana no século XX.


FREDDY GATÓN ARCE (República Dominicana, 1920-1994)
Poeta. Foi uma das expressões centrais do Surrealismo em seu país. Seja pelos ousados experimentos de escritura automática, seja pela cumplicidade, com outros poetas e artistas, na criação do grupo La poesía sorprendida, que marcou toda uma época, em especial pela edição de uma relevante revista homônima. A inclusão da prosa poética que constitui o livro Vlía em nossa coleção é um reconhecimento da importância cimeira deste imenso poeta. O livro, na tradução de Floriano Martins, traz ainda três estudos críticos sobre o poeta realizados por Manuel Mora Serrano, um dos mais destacados ensaístas da República Dominicana.



GABRIEL JIMÉNEZ EMÁN (Venezuela, 1950)
Poeta, narrador e ensaísta. Dirige a revista e as ediciones Imaginaria, dedicadas ao inquietante e ao fantástico, sendo também Coordenador Geral da Fundação Elisio Jiménez Sierra. Foi Coordenador da Plataforma do Libro e da Lectura e Diretor Geral do Gabinete Ministerial de Cultura em Yaracuy e membro da Junta Diretora Nacional da Rede de Escritores de Venezuela. Entre seus livros, de variadas áreas, destacam-se Los 1001 cuentos de 1 línea (1980), Diálogos con la página (1984), Relatos de otro mundo (1988), Baladas profanas (1993), Biografías grotescas (1997), Espectros del cine (1998), El hombre de los pies perdidos (2005), Sueños y guerras del Mariscal (2007), El espejo de tinta (2008). Para nossa coleção Gabriel Jiménez Emán gentilmente nos cedeu os originais de Vislumbres verbales.


HOMERO CARVALHO (Bolívia, 1957)
Poeta, ensaísta, narrador e jornalista, é figura de destaque na cultura de seu país, com projeção internacional. Seu reconhecimento internacional vem se registrado através de prêmios tais como Premio latinoamericano de cuento (México, 1981), Latin American Writer’s (New York, 1998), Premio Nacional de Poesía con Inventario Nocturno, Premio Feria Internacional del Libro (Bolivia, 2016) etc. É autor da Antología de poesía del siglo XX en Bolivia, publicada por Visor Libros, na Espanha, assim como da Antología de poesía boliviana contemporánea e Antología de la poesía amazónica de Bolivia, ambas publicadas em Cuba. Para nossa coleção Homero Carvalho cedeu dois de seus livros, um romance e um volume de poemas.


JACOB KLINTOWITZ (Brasil, 1941)
Crítico de artes, ensaísta e narrador. Um dos intelectuais mais atuantes no país, além de possuir obra dotada de espantosa singularidade, seja pela extensão como pela luz que incide sobre o objeto de todos os seus estudos. Escreveu sistematicamente para órgãos de imprensa como Tribuna da Imprensa, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, revista Isto É, tendo sido redator e crítico de arte da TV Globo. Foi curador do Espaço Cultural Citi, assim como conselheiro do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi e do Museu Judaico de São Paulo. Vice-presidente do Instituto Anima de Sophia, ganhou por duas vezes o prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Com uma bibliografia que se aproxima de 200 títulos publicados, escreveu sobre artistas e temas os mais variados e consistentes de nossa cultura. Para nossa coleção, ele próprio cuidou de montar Tratados de harmonia, em que reúne estudos preciosos e reveladores sobre a obra de destacados artistas brasileiros.


JORGE LUIS BORGES (Argentina, 1899-1986)
Um dos mais notáveis escritores de todos os tempos, sofisticado prosador e criador de um enigmático personagem chamado Jorge Luís Borges, que soube como poucos revelar-se através de entrevistas e conferências, além da própria obra de criação. Em suas diversas viagens, concedeu entrevistas à imprensa local dos países por onde passava. Algumas delas foram reunidas em livro por Floriano Martins, que as traduziu e apresentou ao leitor de língua portuguesa pela primeira vez.


LEDA RITA CINTRA (Brasil, 1959)
Crítica, editora e tradutora. Foi por muitos anos resenhista e crítica de jornais paulistas como Jornal da Tarde, Caderno 2 do Estado de S. Paulo, Folha Ilustrada, Leia Livros da Editora Brasiliense e a revista IstoÉ, da editora Três, ao mesmo tempo em que traduzia para várias editoras das línguas neolatinas, considerando sua segunda língua o francês. Posteriormente passou a trabalhar em algumas editoras, destacando-se, mais recentemente, como agente literária, tendo criado a Editora Cintra que, atualmente em parceria com a ARC Edições, empenha-se no estabelecimento, no Brasil, de um mercado para publicações digitais. Para nossa coleção preparou uma coletânea de Escritos indígenas.


LUDWIG ZELLER (Chile, 1927)
Poeta, narrador e artista plástico. Uma das mais altas expressões do Surrealismo na América Latina, com vultosa projeção internacional. Três residências marcam a sua biografia: Chile, Canadá e México. Na primeira delas, dirigiu a Galeria do Ministério de Educação, de 1952 a 1968. Nesta ocasião também criou a revista e café literário Casa de la Luna. Ainda no Chile, em 1970, organizou a exposição Surrealismo no Chile na Universidade Católica. Ao lado de sua esposa, a artista Susana Wald, mudou para Toronto, no Canadá, e ali criaram um selo editorial, a Oasis Publications. A residência canadense durou até princípios dos anos 1990, quando o casal resolve viver em Oaxaca, no México, onde permanece até hoje. Entre os títulos mais recentes, recordemos: Zeller sueño libre (1991), Los engranajes del encantamiento (1996), Imágenes en el ojo llameante (1999), El embrujo de México (2003), Preguntas a la médium y otros poemas (2009) e Encuentros oníricos (2012). Para nossa coleção concedeu os originais de um livro de relatos oníricos, a novela Río Loa, estación de los sueños.


MANUEL IRIS (México, 1983)
Poeta e ensaísta. Prêmio Nacional de Poesia “Mérida” (2009). Autor de Versos robados y otros juegos (2004, 2006), Cuaderno de los sueños (2009) e Los disfraces del fuego (2014). Neste mesmo ano foi publicado o livro Overnight medley, escrito a quatro mãos com o brasileiro Floriano Martins, em versão trilíngue (inglês, espanhol e português), edição ilustrada com manuscritos de criação dos poemas e um texto elucidativo do pianista Jovino Santos Neto. Para nossa coleção se optou apenas pela versão em inglês, traduzida por Allan Vidigal.


MÁRCIO SIMÕES (Brasil, 1979)
Poeta, tradutor e editor. É o editor assistente da Agulha Revista de Cultura, além de haver criado a Sol Negro Edições, dedicada à feitura de livros artesanais e que tem hoje relevante catálogo que inclui nomes como Yvan Goll, Vicente Huidobro, Federico García Lorca, Aldo Pellegrini, Hans Arp, Gregory Corso, Enrique Molina e outros mais. Fundamental trabalho de escavação, Márcio Simões realizou nos arquivos de Floriano Martins, montando um livro com diversas entrevistas e um precioso estudo introdutório.


MENALTON BRAFF (Brasil, 1938)
Romancista e contista, já em seu terceiro livro – os contos de À sombra do cipreste – é distinguido com o Prêmio Jabuti de Literatura (2000). A este se seguiram muitos outros, em uma obra densa e sempre renovada, que destaca títulos como: Castelos de Papel (2002), A Esperança por Um Fio (2003), Como Peixe no Aquário (2004), Antes da Meia Noite (2008), Copo Vazio (2010), Tapete de Silêncio (2011), O fantasma da segundona (2014) e Pouso do sossego (2014). Em nossa coleção incluímos um de seus mais relevantes romances, A muralha de Adriano.


NICOLAU SAIÃO (Portugal, 1946)
Poeta, ensaísta, artista plástico e tradutor. No Brasil foi editada em finais de 2006 uma antologia da sua obra poética e plástica, Olhares perdidos, organizada por Floriano Martins para a Editora Escrituras. Fez para a Black Sun Editores a primeira tradução mundial integral de Os fungos de Yuggoth, de H. P. Lovecraft (2002), que anotou, prefaciou e ilustrou, o mesmo se dando com o livro do poeta brasileiro Renato Suttana Bichos (2005). Organizou, com Mário Cesariny e C. Martins, a exposição “O Fantástico e o Maravilhoso” (1984) e, com João Garção, a mostra de mail art “O futebol” (1995).  Concebeu, realizou e apresentou o programa radiofónico “Mapa de Viagens”, na Rádio Portalegre (36 emissões). Para a nossa coleção, Saião preparou uma relevante mostra de seus ensaios.


OMAR CASTILLO (Colômbia, 1958)
Poeta, ensaísta e narrador. De 1984 a 1988 dirigiu a revista otras palavras, periódico de textos críticos e de criação. Entre 1991 e 2010 dedicou-se à publicação de outra revista, Interregno, somente de poesia. E durante o período de 1985 a 2010 dirigiu as Edicões Otras Palabras, por ele criada. Intenso articulador cultural em seu país, sua bibliografia inclui: Obra poética 2011-1980 (2011), Huella estampida, obra poética 2012-1980 (2012), En la escritura de otros, ensayos sobre poesía hispanoamericana (2014), Al filo del ojo (2018) y Tres peras en la planicie desierta (2018). Em nossa coleção incluímos dois liros de Omar Castillo, uma antologia poética pessoal e um volume de estudos críticos sobre poetas e poesia.


ROBERTO PIVA (Brasil, 1937-2010)
Essencialmente poeta, Roberto Piva publicou Piazzas (1964), Abra os Olhos e Diga Ah! (1975), Coxas (1979), 20 Poemas com Brócoli (1981), Quizumba (1983) e Ciclones (1997). Sua obra completa foi reeditada em três volumes e publicada pela editora Globo entre 2005 e 2008, incluindo inéditos. A antologia incluída em nossa coleção foi preparada por Floriano Martins e Claudio Willer, tendo sido traduzida ao espanhol por Gladys Mendía. Trata-se da primeira edição da poesia de Roberto Piva em outro idioma.


SUSANA WALD (Hungria, 1937)
Artista plástica, ensaísta, tradutora. Pertence ao movimento surrealista desde princípios dos anos 1960, adesão perceptível tanto em sua obra quanto em sua vida pessoal. Para ela Surrealismo é um “modo de vida” que “propõe um mundo em que a liberdade, o amor e a poesia são os elementos governantes”. Parte de sua obra plástica foi produzida em estreita cumplicidade com Ludwig Zeller, e a seu lado também dirigiram revistas e exposições. Susana Wald tem uma arte proveniente dos exercícios do automatismo, da livre associação, do sonho, do sonho dirigido para a vigília ou do semi-sonho. Seus trabalhos exploram problemas relacionados à filosofia, ecologia, psicologia e gênero. Sobre ela Floriano Martins escreveu um volume crítico que se encontra em nossa coleção, ao lado de um livro de crônicas assinado pela própria Susana Wald.


VALDIR ROCHA (Brasil, 1951)
Aquarelista, desenhista, escultor, gravador e pintor, com dedicação às artes plásticas desde 1967. Como artista plástico, seria aquilo que se costuma chamar autodidata, ainda que não aceite tranquilamente esse rótulo, “porque, atualmente, todas as pessoas que têm acesso pleno às informações podem aprender com todo mundo”. Publicou diversos livros, dentre eles, Cabeças (2002), Cárcere privado (2006), Confidências (2013), Gravuras em metal (2002), Intimidades transvistas (1996), Mentiras, verdades-meias e casos veros (1994), Pós (2015), Repentes (2015), SÓS (2010), Títeres de Ninguém (2005) e Xilogravuras (2001). Realizou algumas exposições individuais e participou de poucas coletivas. Prefere mostrar sua obra através dos livros. Acerca de sua obra dedicaram livros de estudos Mirian de Carvalho, Jorge Anthonio e Silva, Péricles Prade, dentre outros. Em nossa coleção incluímos dois livros em parceria com Floriano Martins.


VICENTE HUIDOBRO (Chile, 1893-1948)
Poeta, ensaísta, dramaturgo, foi uma das vozes mais expressivas do século XX, criador de um movimento a que intitulou Creacionismo, após sua saída do grupo do Cabaret Voltaire, como uma dinâmica singular e paralela ao Surrealismo que também surgiria na mesma década. O livro incluído em nossa coleção reúne diversos textos de Vicente Huidobro (poemas, prosa poética, ensaios, manifestos, entrevista) selecionados, traduzidos e prefaciados por Floriano Martins.


ZUCA SARDAN (Brasil, 1933)
Poeta, desenhista, dramaturgo, com fortes vínculos em relação a Dadá e Surrealismo, acentuados por uma declarada afinidade com a Patafísica. Linguagem atípica, irônica, farsesca, que não o situa em tradição alguma no Brasil. Ao lado de Floriano Martins, a quatro mãos, escreveu uma série de peças de teatro, à espera de sua adaptação para os palcos. Algumas delas se encontram em nossa coleção, assim como uma antologia de seus escritos e desenhos.


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CLAUDIO WILLER | Conversa com os editores

CW | Como veio à luz esta parceria editorial, gerando este novo selo com um nome tão bonito, O amor pelas palavras? Quais os planos?

FM | O título da coleção foi emprestado de um de meus primeiros livros publicados, em 1982. Mas reflete, em essência, a intensidade de nossa relação com o mundo dos livros e com a palavra dada, não apenas escrita. Funciona, portanto, como uma carta de princípio. Há uma relação de mercado, certamente, considerando que os livros estão à venda, porém o que é determinante é criar novas perspectivas de acesso a títulos que o mercado comum não dá atenção.

LRC | Embora concordando com o que foi dito por Floriano, de que nossa meta não é essencialmente financeira, acredito que essa parceria é uma tentativa de fazer o mercado livreiro e principalmente o mercado do eBook despertar para o fato de que se pode publicar com excelência de qualidade tanto no papel impresso como no digital, sem esquecer que o digital nos dá a possibilidade de pensar primeiramente na qualidade do que é oferecido, sem precisar pensar tão emergencialmente no retorno financeiro da empreitada, porque o investimento pequeno dessas publicações torna isso possível.

CW | Floriano e Leda Cintra já se conheciam faz tempo, não é? Já havia um diálogo, um interesse em colaborarem? Façam um resumo desse diálogo.

FM | Conheci Leda Cintra quando, já não recordo por sugestão de quem, eu a procurei para atuar como agente literária em busca de edição justamente para o livro Memória de Borges, com que hoje abrimos a nossa coleção. O livro sofreu uma recusa generalizada por conta dos habituais entraves que a viúva do poeta argentino levava a termo pelos corredores editoriais em diversos países. Mesmo que se soubesse que os direitos autorais deste livro não pertenciam ao Borges, e sim aos diversos jornais e revistas onde as entrevistas foram publicadas, o fato é que as editoras não queriam arriscar. Finalmente o livro sai pelas Edições Nephelibata, de Santa Catarina, em uma belíssima caixa com dois volumes, edição artesanal, com uma tiragem de 60 exemplares. Meu convívio com Leda se intensificou a partir daí, ela passou a colaborar com a Agulha Revista de Cultura, ao mesmo tempo em que editou um livro de contos do costarriquenho Alfonso Peña e um livro meu: Invenção do Brasil. Era então uma versão resumida do livro homônimo que hoje tratamos de incluir na coleção. Por desdobramento natural, uma vez que sempre trocávamos e-mails a respeito dos problemas editoriais no Brasil, nos veio a ideia de somar nossas duas casas editoriais em torno de um projeto comum, utilizando apenas a plataforma virtual, com a determinação de compor um catálogo relevante.

LRC | Pois é… a recusa de publicar Memória de Borges por causa das invectivas da viúva foi quase trágica. Os editores queriam o livro, reconheciam sua importância, mas editores não costumam se arriscar em polêmicas com herdeiros de direitos autorais, mesmo quando os direitos sejam tão questionáveis quanto neste caso, em que se resguarda muito mais o nome de Jorge Luis Borges do que direitos que, como disse Floriano, pertencem aos entrevistadores. Acredito que a questão dos direitos autorais deveria ser melhor revista, porque resguardar os autores é publicar seus textos, não esquecê-los mercê da não politica dos herdeiros, como acontece  com frequência no nosso país em que grandes autores e suas excelentes obras terminam caindo no esquecimento mercê de herdeiros e de editores que se digladiam sem nenhuma noção.

CW | Seu campo, Floriano, tem sido preferencialmente o surrealismo – que, no Brasil, virou dissidência cultural, pelo modo como é desconsiderado por elites pensantes. Sua colossal pesquisa – em especial sobre manifestações do surrealismo fora da França – terá reflexos nas pautas ou títulos dessa nova série?

FM | Não creio que seja possível, do ponto de vista de uma prática quando menos razoável de abrangência cultural, deixar de fora o surrealismo de qualquer catálogo editorial. Seja pela importância fundamental do movimento, quanto pelo volume impressionante de títulos que acompanha a vida literária de incontáveis países. Eu tenho em preparo no momento dois livros dedicados ao tema. O primeiro deles é uma bem abrangente antologia poética de poetas surrealistas em todo o mundo, com um total de quase mil páginas. Este livro deverá ser publicado até novembro. O outro volume requer mais tempo de preparo, por se tratar de um volume crítico de diálogos que venho mantendo com estudiosos do surrealismo em países como Portugal, México, Espanha, Grécia, Austrália, Holanda etc. Pouco antes de sua morte, deixaram comigo originais dedicados ao surrealismo os poetas André Coyné (França) e Carlos M. Luis (Cuba). Como temos uma previsão de 20 títulos para este resto de 2017, estes originais em breve entrarão em fase de digitação, e creio que será possível publicá-los no início do próximo ano. Há também livros dedicados ao surrealismo que já se encontram na previsão editorial para este ano: ensaios do argentino Aldo Pellegrini; uma antologia poética do Roberto Piva, em espanhol; um amplo volume de teatro automático escrito a quatro mãos por mim e Zuca Sardan; um estudo crítico que preparei sobre a obra plástica da artista Susana Wald etc. Aqui é importante destacar que os livros atendem a leitores tanto em idioma português quanto espanhol, o que amplia o alcance de nossa aventura editorial.

LRC | Acho importante a publicação dessas obras dedicadas ao surrealismo que, na América Latina, quase exclui o Brasil, em que o desconhecimento por essa corrente literária se resume a Dali.

CW | Leda Cintra, como se projeta seu campo de interesses nessa programação editorial? Haverá mais sobre Pagu? Sobre censura e seus malefícios?

LRC | Como disse no inicio, o instigante nessas publicações digitais, interesse maior da editora Cintra é a possibilidade de tirar do esquecimento nomes como Geraldo Ferraz, do qual publicamosDoramundo, o romance que em 1956 foi considerado o melhor do ano, sem nos esquecermos que foi o ano em que Guimarães Rosa teve publicado seu Grande Sertão Veredas. Também de Geraldo Ferraz publicaremos outros livros como Depois de Tudo, uma autobiografia quase já esquecida, assim como Jorge de Andrade, do qual publicamos todo o teatro, num belíssimo trabalho de Elizabeth Azevedo que complementou essa edição de suas peças com apresentações  e prefácios  de professores, críticos, gente do teatro como Antonio  Candido de Mello e Souza, Carlos Guilherme Motta,  Antunes Filho etc.
Sim, pretendemos publicar toda a obra de Pagu que, como você sabe melhor do que ninguém é mito, mas mito em um país como o Brasil, periga ter o nome usado desde escolas até brechós, sem dar satisfação aos herdeiros. E olha que os herdeiros da obra de Pagu, seus netos e noras, são bem simpáticos com os pretendentes a alcançar esses títulos… mas Pagu está atualmente em vários países, com seu Parque Industrial, tais como Estados Unidos, México, França, Croácia e, em breve, sairá pela nova Editora Linha a Linha, que começa seu catálogo com esse título aqui no Brasil onde já se encontra disponível em ebook pela Editora Cintra. Veja, entretanto, que são traduções de estudiosos, professores universitários, que descobrem Patricia Galvão e sua obra em feiras culturais e por ela se interessam a ponto de traduzir e buscar editoras. No Brasil fazer os leitores comprarem livros ou eBooks  é difícil, e para a Editora Cintra o maior exemplo disso é o de que todo mês são vendidos de dois a três eBooks de Parque Industrial, mas em uma promoção gratuita de 72 hs foram baixados 470 eBooks dessa autora. Isso, entretanto, em nada nos aborrece, como disse Floriano Martins, nosso foco maior não são as vendas, porque embora estejamos no mercado, o foco principal é o de preservar títulos da nossa lavra que sem as possibilidades dos eBooks morreriam nos fundos de gavetas parecendo pouco comerciais para as editoras que imprimem livros.

CW | Floriano, você é artista múltiplo, literário e visual. Isso tem consequências na escolha de títulos?

FM | Uma consequência natural. Não apenas no tocante à definição do catálogo, como também no cuidado com o projeto gráfico, considerando que assino capa e desenho interno de todos os livros. Além disto, me parecem já indissociáveis as criações literárias e plásticas, sendo bem comum a existência de escritores que são também artistas plásticos ou gráficos, e vice-versa.

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ALFONSO PEÑA | Conversa com os editores

AP | Leda  & Floriano, su travesía por publicaciones de revistas y ediciones de libros es muy amplio y de gran recorrido. Me parece que para nuestros lectores y amigos será importante conocer sus observaciones y comentarios sobre el hecho de como dos sellos editoriales se compaginan y entran en complicidad para publicar libros en formato eBook…  ¿Esencias, descubrimientos?

FM | Hay dos puntos complementares. El primero es una estrategia de mercado. El segundo, mi admiración por este trabajo editorial que hace tiempo realiza Leda. Hay un modo, todavía hay, de hacer del mercado algo más humano. Además es muy importante la complicidad, en todos los sentidos, sobre todo en un tiempo como el nuestro, en que el aislamiento posee un acento muy peligroso.

LRC | Concordo com Floriano na admiração,  admiro em Floriano  esse trabalhador da cultura latino-americana, que acredita em transformar os homens pela cultura. Admiro e aceito sua ideia de cumplicidade, uma cumplicidade muito necessária para que possamos continuar a caminhar sem nos atermos a especificações solitárias e imunes a compartilhamentos culturais e humanos, o que  apenas traz o isolamento de cada homem ou mulher.

AP | Editora Cintra y Arc Edições, poseen en sus catálogos títulos importantes, en algunos casos con autores de gran bagaje y prestigio como fue el primer título sobre las entrevistas concedidas por Jorge Luis Borges y recopiladas por Floriano Martins para esta edición… ¿Qué esperan de este título con el que inicia la colección?

FM | Nuestra preocupación central es con la configuración de un catálogo que sea al mismo tiempo diversificado y relevante. La idea es buscar títulos que expresen una distinción en relación al mercado común. Memoria de Borges es una selección de entrevistas que ha dado a la prensa el poeta argentino en su pasaje por varios países, en sus viajes como conferencistas. Este material estaba disperso, en grande parte los periódicos habían cerrado sus puertas, así que es un libro muy raro y revelador del carácter de Jorge Luis Borges. En esta misma dirección estamos preparando libros de autores como Vicente Huidobro, Aldo Pellegrini, Jacob Kintowitz. Lo que esperamos con esa apuesta editorial es ofrecer al lector una muestra significativa y diversa del arte y el pensamiento en nuestro tiempo, desde principios del siglo pasado hasta hoy.

LRC | Nesta pergunta percebo a preocupação com o destino que receberão grandes autores, livros e ideias com as atuais publicações; uma preocupação que ainda não é a nossa, se pensarmos no grande público, mas que é nossa se pensarmos em levar a grande literatura, no sentido de autores e textos de qualidade excelente, para um público que tem o direito de ter preservados livros como esse de J. L. Borges e outros que constam dos catálogos dessas duas editoras, livros que sem essas publicações estariam perdidos nos armários e gavetas, alguns nas memórias de quem os leu, mas longe das prateleiras das livrarias e gráficas.

AP | La propuesta editorial de ustedes como editores se puede entender como una manera de enfrentar la crisis en los sistemas capitalistas… Ante la “difundida” caída del libro impreso, consideran que los eBooks es un modo efectivo de combatir la crisis…

FM | Hay en esa perspectiva más de deseo que de modo efectivo. Además es un riesgo pensar en las cosas como siendo excluyentes. Eso es muy común en Brasil, dejar una cosa por otra, cuando es plenamente posible la común relación entre varias cosas. ARC Edições sigue con sus libros impresos, ahora mismo presentamos un libro muy bello, en colores, sobre las esculturas de un importante artista brasileño: Valdir Rocha. Sumamos nuestro esfuerzo en búsqueda de un sitio mágico en que el arte y el pensamiento alcancen una perfecta mecánica de interrelación. Igual seguimos con la publicación mensual de Agulha Revista de Cultura e sus series especiales. Hay mucho trabajo y este es el modo más efectivo de ser: trabajar para combatir las crisis todas, sobre todo la crisis moral, que es la más corrosiva.

LRC | Combater a atual crise econômica seria possível através dos textos em eBooks dados seus preços muito mais acessíveis do que quando falamos de publicações impressas, mas para isso teríamos de estar no mesmo patamar de alguns países estrangeiros em que o eBook é um verdadeiro sucesso de vendas sem, contudo, atrapalhar as vendas das publicações impressas. Há que saber fazer conviver de forma harmônica esses dois tipos de publicações, o eBook e o impresso, como um dia fizemos conviver televisão e jornais impressos que, se hoje estão em menor número não é absolutamente por causa da televisão que foi combatida pelos jornalistas e autores de textos impressos quando surgiu, mas por causa de uma crise que se prolonga e atinge muitos segmentos além do financeiro.

AP | Conversemos de estrategias visibles e invisibles… ¿Cómo atraer al mercado global?

FM | La palabra-llave es la misma, en cualquier actividad de mercado: difusión. Por supuesto que hablamos de difusión de un obyecto de calidad. Es indispensable establecer la diferencia, porque el mercado está saturado de mercancías de baja calidad. El mercado de libros no es distinto. Así que la estrategia esencial apunta en la dirección de muy buena y activa difusión, a través de los mecanismos de publicidad de Amazon, así como la difusión que hacemos a través de las redes sociales y la complicidad que mantenemos con nuestros amigos de las artes, editores de revistas, periodistas etc. A ver que sale de todo esto…

LRC | Concordo com Floriano: divulgar, divulgar e divulgar de todas as maneiras possíveis sem perder o foco da qualidade; porém, não se pode negar que um público leitor mais assíduo seria desejável, embora saibamos que isso se consegue com educação e tempo.

AP | En conversaciones que mantengo con personas y amigos de diversos países y medios, muchos opinan que todavía los lectores de libros impresos no se “acostumbran” al eBook, en otras palabras “no se siente cómodos”. ¿Cómo lograr que se integren a las parafernalias digitales…?

FM | Hay que insistir que se tratan de modos distintos de acercamiento de contenidos. Es plenamente posible contar con los dos mundos, el impreso y el virtual. Fíjate que lo mismo se decía de los periódicos que hoy circulan ampliamente en el medio digital. El problema mayor no está en el formato de presentación de la lectura, sino en el interés por la lectura misma. Esto es lo que más me preocupa, sobre todo en un país como Brasil, el agotamiento de la lectura relevante. En eso sentido, ojalá el mundo digital pueda ayudar simplemente por ofrecer un nuevo formato de acceso.

LRC | Essa é uma questão de difícil resposta, porque vemos em ônibus, metrôs etc., assim como nas casas, pessoas das mais diferentes faixas etárias com kindles nas mãos lendo… São aparelhos que tornam muito mais fácil o transporte e manejo dos textos do que livros impressos. Além disso, apesar de acreditar que o hábito do livro impresso seja próprio de uma faixa etária mais elevada, quando os eBooks nem sequer existiam, acredito bem fortemente que o verdadeiro leitor, não permite que o meio o impeça de chegar ao conteúdo com o qual deseja se deleitar, como prova o grande Esdras do Nascimento, autor também da Editora Cintra, recentemente falecido que, aos 83 anos possuía três aparelhos kindles e só lia em eBook, porque cada kindle comporta 3 mil títulos, não pega poeira, é de fácil transportar e não gasta espaço.

AP | Quizá es importante que podamos conversar en relación a las ediciones alternativas en contraposición con las ediciones de los emporios editoriales… ¿similitudes, diferencias?

FM | No veo como contraposición. Hay de todo en los dos modos, el mundo está tomado por el preocupante crecimiento de la basura. Hay una creciente marginalización del ser, el interés de convertir al ser en pieza de reposición de un mercado de almas. Cada uno reacciona a su modo, por supuesto. Pero la más grande calamidad radica en la inacción.

LRC | Espero que hoje, como sempre, haja a similitude da procura da qualidade e que a diferença sirva apenas para publicar mais títulos, já que nem todos caberiam em uma única casa ou forma de edição.

AP |¿Podemos referirnos a generaciones de lectores en papel y digitales…? Hace unos años este cuestionamiento se hubiera percibido como algo utópico, podemos afirmar que ya existe “la generación” de lectores digitales de un modo convencido y autónomo. ¿Opinión?

FM | Bueno, que así sea, pero… ¿Qué importa? ¿Qué importa, tomemos la música por ejemplo, que exista una generación de música acústica y otra de música electrónica? Nada de eso define la calidad del arte, más aún, la calidad de la vida.

LRC | Penso que cada vez mais países com maior número de leitores acessam de todas as maneiras os livros; logo, são mais acessíveis a essa nova forma de publicação, sem deixar de ler os impressos. Acredito que em locais semoventes como ônibus, metrôs, etc. se vê mais pessoas lendo publicações digitais pela facilidade de transportar e isso pode nos levar erroneamente a acreditar que apenas os jovens, que usam esse tipo de transporte leem no digital, o que não é verdade, pois isto se constata apenas pela facilidade de transportar os livros nos veículos coletivos como em viagens. O que me parece é que no Brasil, especialmente, novidades de qualquer tipo, que não se refiram a moda e cosméticos, demoram um tempo maior para serem incorporadas.

AP | Para concluir, se habla de un “catálogo” con un inicio de 20 títulos para los próximos 6 meses… Es un trabajo acelerado y lleno de matices… ¿Cómo piensan enfrentar la producción, el diseño de portadas, composición de páginas internas, la distribución, las ventas… y sobre todo la calidad editorial…? 

FM | Bueno, el primero paso es de cierto modo lo más tranquilo, pues estamos trabajando con libros ya existentes, algunos que inclusive tuvieron una primera edición impresa. Libros que son una re-compilación de textos dispersos en periódicos y volúmenes con autores diversos. La parte del diseño gráfico está conmigo, incluso las portadas. Ya Leda cuida de la preparación técnica de cada título para inserción en la plataforma Kindle, de Amazon. Manejamos los dos las estrategias de distribución y Leda hace el acompañamiento de las ventas. Es un trabajo muy dinámico y me encanta esa perspectiva creada por nosotros, esa mecánica mágica del descubrimiento perene de uno en el otro. Las relaciones de trabajo son también relaciones amorosas. Así es la vida.

LRC | Vejo que parte da resposta já foi dada por Floriano e concordo; ademais, o que importa mesmo aos dois selos é, além do encantamento da parceria, que cada título tenha examinada cuidadosamente a qualidade, para que sejamos não grandes vendedores de livros, mas sim divulgadores de inéditos e textos de grande qualidade esquecidos nas gavetas e que não podem nem devem ser esquecidos porque a perda seria da própria humanidade.


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CATÁLOGO 2019



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